Passei o dia todo deitada nessa cama, pensando em muitas coisas. Minha caminha de solteiro, da epoca em que morava com a minha mae. Tive quase sempre a companhia de Violeta e Amelia, cachorros malcomportados porem muito carinhosos. Ouvi minha mae falando sozinha e meu irmao, feliz da vida com seu GTA 4.
Pensei no passado, pensei como sera'-que-sera' daqui pra frente. O momento presente, no entanto, foi aquilo que ocupou meus pensamentos durante a maior parte do tempo. Eu tenho ouvido noticias sobre gente doente; sobre o passamento de gente que e' querida a amigos queridos; sobre pessoas se unindo nesses momentos, pra tentar juntar o maximo de amor possivel e nao deixar que a vida se torne insuportavel. Porque a conclusao a que cheguei ha tempos, "o que nos resta e' continuar", vai de encontro as pessoas, nesse momento, como um trem desgovernado.
Poucas pessoas de sorte sabem quando sera' a hora de morrer. So' consigo, no momento, me lembrar de Jimmy The Saint. Ele nao era um doente terminal pra quem o medico deu seis meses de vida, nao; ele so' nao sabia a hora exata de seu passamento, mas sabia que era iminente. Portanto, apressou-se a fazer aquilo que achava que devia, ajudar quem precisava, dar seu carinho a quem merecia.
Eu gosto de viver. Por que deveria me envergonhar disso? Por que deveria me envergonhar do prazer que me dao as lambidinhas dos meus cachorros, o reencontro com amigos nao vistos ha tempos, sopa de abobora, margaritas com as meninas, conhecer lugares novos e contar tudo a respeito?
Nao vou usar o chavao "a vida e' curta". Eu nem sei se a vida e' curta. Minha tia-avo' Yolanda tem 97 anos e ja' nao aguenta mais; diz que nao ha' mais nada a fazer aqui. Acha que ja' viveu demais. O quao curta ou longa a vida e' depende de alguma vontade desconhecida que ninguem ainda compreendeu. O que queria dizer e' que estou aqui. E, ja' que estou aqui mesmo, cabe a mim fazer disso o melhor (ou quem sabe "o menos pior") que eu conseguir.
Continuo triste pelos sonhos evaporados. Acho que e' como tem que ser. Ao menos parei de me torturar com o malvado "se eu tivesse feito diferente". Eu fiz igual, fiz diferente, fiz de mil e um jeitos. No final, tive que escolher aquele que iria me fazer sofrer menos, posto que todos os caminhos levavam a algum sofrimento. Fiz isso acreditando que, nao hoje e nem amanha, mas daqui a algum tempo, amanhecerei de novo com vontade de participar dos movimentos da Terra.
Eu ainda estou aqui. Eu ainda tenho jeito. E coisas como "Ju, que saudade, ha' quanto tempo nao nos falamos?!?!" so' me ajudam a querer seguir.
2 comentários:
E chocolate derretendo na boca, Ju. Eu sei lá, por mais que as coisas me entristeçam, eu sempre vejo tanta beleza no mundo, na vida...
Em nenhum capítulo do livro da vida está escrito que os sonhos e metas se dissipam ao se aproximar dos 30. E nem que o passado passa a ficar maior do que 1 ano por ano.
Gripada pode, triste não...
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