19/09/07
Play it again, Sam.
17/09/07
Eh de comer?
Nos perdoem os letrados-leitores, mas vamos de miguxes novamente, posto que o computador da redatora terminou de ir pro saco na noite fria de hoje, e no caso o que estamos tendo para o momento eh um laptop de teclado desconfigurado gentilmente cedido por um fa do nosso querido Vendendo Ilusoes, e o qual estamos usando pra estarmos chupinzando o wi-fi alheio . Pra quem vai ficar com saudade, eis aih ("aih", que revoltante) o carao da redatora, em sepia, naquilo que parece uma luta contra a maquina fotografica - que estah ganhando.
Agora eh serio (na verdade, sempre foi, eu soh estava querendo testar voces). O laptop alheio traz pra gente uma perspectiva nova das coisas. Eh como descobrir um segredo escabroso, terrivel, tenebroso. Eh como entrar num quarto de repente e pegar alguem fazendo sexo (sozinho, acompanhado, whatever). Sao as musicas que voce nunca pensou em baixar, os e-books e poemas que voce jah quis ler mas nao teve tempo, e as fotos - por vezes as SUAS fotos - as quais voce ignorava completamente a existencia.
Curioso notar como a lente alheia nos ve. Sao angulos completamente diferentes daqueles os quais o espelho nos mostra. Pecinhas do nosso proprio quebra cabecas que, de tao complexo, sequer cabe na caixa. Captado um olhar atento, ele revela ao mundo algo que nem sabiamos que eramos. Somos vulneraveis.
Eu vulneravel de tao corajosa.
Em sepia.
(prometo que depois eu acentuo esse post).
Joo in Wonderland
Façamos, então.
Mas só depois da aula de morfologia.
16/09/07
The Eliezer Baby
E é isso mesmo o que se diz por aí. Que vai chegando uma certa idade e que nós, as moças, começamos a ter vontade, surgida não se sabe bem de onde ("hormonal" parece ser a desculpa pra explicar tudo o que não se sabe ao certo porque acontece) de passar os próprios genes adiante. Instinto maternal? Convenção social? Whatever. O momento baby-boom um dia vem dicunforça e eu acho mesmo que, a partir daí (e a gente pode até não admitir), tem início a procura pelo detalhe que falta, o gameta masculino, visto que nós mulheres ainda não aprendemos a fazer geração espontânea. Tipoassim-nocaso-anivelde, filho não brota do nada.
Agora, me digam vocês, caras que eu conheço: homem também tem momento baby-boom? Porque me parece que o interesse em perpetuar a espécie, afora fazer sexo porque é divertido, é mútuo. Pior ainda pra vocês, né, que sequer têm o esquipamento de armazenagem. É, eu acho que talvez vocês tenham ainda mais dificuldade na procura. Em outras palavras, a taréfa é árdua pra todo mundo.
Olha que engraçado, meu momento já veio e já foi. Realmente tive alguma vontade de ser a mãe do filho do Um (e tentar melhorar a genética dele com meus genezinhos peitudinhos e narigudinhos e miopezinhos, of course), que foi passando à medida em que meu namoro afundava na lama e à medida em que, ao mesmo tempo, eu ia perdendo tanto a fé no ser humano e questionando tanto pra onde esta droga de mundo redondo e azul está indo, que passei a perguntar a mim mesma sobre o quanto de bom senso há em botar mais um perdidinho nesse mundo, quando há tantos perdidinhos já prontos sem quem os crie.
Um suspirão, e eu admito que não vislumbro muita chance de passar esses genes aqui adiante. Primeiro porque sou uma garota confusa que sequer sabe direito em quê acredita. Segundo, porque não confio em ninguém o suficiente pra misturar meu gameta feminino com o gameta masculino dessa pessoa. Terceiro, porque questiono minha própria habilidade/maturidade/capacidade, tão necessárias a quem pretende carregar outra gente dentro de si mesma.
Jamais consigo lembrar o nome do filme (pode ser Parenthood, com o Steve Martin, contudo não vou jurar), mas assistindo TV numa dessas madrugadas, um diálogo me chamou a atenção: era um homem que falava ser necessário obter licença pra tudo - dirigir um carro, pescar, ter um cachorro, etc - mas que qualquer idiota pode ser pai. Ah, amigo, qualquer idiota também pode ser mãe, criando filhos fucked up que, por sua vez, criarão mais filhos fucked up, e outros mais depois destes. Gerações e gerações inteiras de fucked ups (isso existe, "fucked ups"? uél, se não existe, agora há, vez que acabo de criar) fucking up the world.
Se o momento baby boom voltar, assim, provavelmente tentarei ignorá-lo como quem vai se deitar algumas horinhas antes do nascer do sol e tenta ignorar o pio pentelho dos pássaros lá fora. Se não der certo, com alguma dose de lamentação irei obter o bebê Eliezer pelas vias legais, pranteando minha própria incompetência em (não) encontrar um ser humano do sexo masculino que lhe dê o nome. O nome e as outras coisas que só um pai pode dar.
(pode não parecer, mas hoje estou contente - porém pensativa, é só.)
14/09/07
Um. Dois. Três. Quatro?
Nos conhecemos há quase uma década, não é, Um? E sim, fiz planos. Muitos. Pode ser que não fossem planos assim tão convencionais, como sonhar comigo mesma vestida de noiva e com a música de fundo da minha entrada triunfal - mesmo porque, perdeste a que provavelmente foi a única chance de me ver entrar na igreja pela porta da frente e, em seguida, subir no altar, que foi quando amadrinhei o matrimônio de Pat e Steven (e na verdade nem ligo muito pra essa minha previsão apocalíptica, mas isso é assunto pra outro post, outro momento, outro dia). Eram, porém, planos de união, de compartilhamento, de viagem, de vida. Planos sobre os quais não contei textualmente a ninguém, mas dei pistas tão claras que até Mister Magoo conseguiria seguir. Planos nada mirabolantes, totalmente realizáveis e que, melhor ainda, não incluíam festas que custem 50 mil reais.
Você, Um, acredito que também planejava, no seu íntimo, coisas realizáveis... ou eu as consideraria assim. Porque, pra você, hoje eu sei que eram sonhos por demais altos. No que me concerne, um sonho alto envolve o Christian Bale, lençóis de cetim e um tubo de chantilly. Mas, quanto a você, os sonhos que considerava altos equivaliam às minhas expectativas totalmente realizáveis. Em suma, porque você nunca teve a real intenção de correr atrás deles.
Pra que será que serve uma expectativa, Um? Pra manter nossa cabeça longe num dia chato de trabalho duro? Pra devanear antes de dormir? Pra nos aquecer por dentro em momentos em que nos sentimos a própria merda? Ou será que é pra nos mover, nos tirar da inércia estática (já que aprendi no cursinho que inércia não necessariamente significa estar "parado" - o problema todo, mesmo, é a estática), nos fazer tomar decisões que não tomaríamos em circunstâncias ordinárias?
Um, eu me esforço. Erro constantemente, mas me esforço sempre. No momento, o esforço é pra afastar o bolo que insiste em habitar minha garganta, e convencer a mim mesma de que não passei tantos anos correndo atrás de algo que apenas eu, ingênua, achava que existisse.
E a sua presença, seu modo de me mostrar que regredir é tão fácil e tão tentador, ainda mais se pudermos nos livrar com as desculpas da carência e do desespero, não estão ajudando.
Um... por favor... suma-se.
Dois. O Dois.
Paquiderme. Seria, Dois, o que eu diria, se precisasse defini-lo em uma só palavra. Pensei em "geladeira" também, mas acredito que "paquiderme" dê melhor conta do recado.
Você tem espelho em casa, Dois? Se tiver, quando for escovar os dentes pela manhã, dê uma bela olhada em si mesmo. À primeira vista, nenhum traço de paquidermia, não é? Afinal, seus olhos castanhos são lindos e brilhantes; você é definitivamente alguém pra quem eu olharia (olhei) se passasse ao meu lado.
Contudo... olhe mais atentamente. Dois, você sem sombra de dúvida é um paquiderme. Porque a sua sensibilidade equivale à de um rinoceronte apertado pra ir ao banheiro. E se eu tivesse que apostar, apostaria meus scarpins novos como "frio" e "insensível" são adjetivos que as pessoas usam pra se referir a você com alguma frequência.
Não que eu tenha algo a ver com isso, claro. Afinal, nosso relacionamento (ahã) foi tão curto quanto possível. Aliás, acredito que se eu mandasse uma boneca inflável no meu lugar, Dois, você sequer teria notado a diferença. Banquei a boneca inflável pra você, sim, com duas rodelas de ruge nas bochechas e tudo (mas acho que fui uma boneca high-tech, daquelas que custam mais caro porque parecem reais e têm funções diferenciadas como "gemer", vá lá).
Talvez eu não tenha sido linda, inteligente e bem-sucedida o suficiente pra você, Dois. Ou talvez, além de paquiderme, você seja um idiota. Ou provavelmente nenhuma das anteriores: passamos um pela vida do outro muito rapidinho, você foi pra esquerda e eu pra direita e não nos cruzamos novamente, pelo menos até agora, sem que o ocorrido nos causasse grande impacto.
Mas como você sequer lerá todas essas letrinhas brancas mal-escritas, Dois, posso admitir sem medo que, meu amigo, você sequer imagina o impacto que causou. Me fez questionar meus próprios talentos. Lembrou-me o que é a dor do "não" já que, mesmo sem amor-desejo-tesão-whatever, receber o "não" machuca.
Houve uma época, Dois, em que eu queria te compreender. Hoje, eu só quero ser o mais diferente possível de você.
Três. O Três.
Ai, Três.
Você também me bouleversou. E eu descobri com quem te pareces, folheando uma revista anteontem, no avião: Steve McQueen, num filme antigo, os cabelos claros e os lábios carnudos. Um homem em tons terrosos. Um homem colorizado por computador.
Mas, Três, você nem vai acontecer, o que é uma pena quase dolorosa. Eu te faria feliz, e é quase certo que você me faria feliz também, com toda essa sua erudição pateta. Você me explicaria o que não entendo e me mostraria coisas das quais eu sequer fazia idéia. E eu te apresentaria minhas minhocas.
Você não vai acontecer. Nosso contato é quase nulo e eu estou pronta agora, mas você está fazendo as pazes com o universo ao seu redor, resolvendo suas próprias questões e sem tempo ou sequer vontade de uma baixinha nariguda e sorridente que já é amiga do bom e velho universo ao seu (seu, dela) redor há bastante tempo.
Por isso, Três... não.
Que venha o Quatro. Será?