Uma hora inteirinha. Ou melhor, 54 minutos. Deu tempo de dar duas voltas no quarteirão ouvindo música (pra desanuviar); comer um 'croaçã' (ou assim ele foi chamado na lanchonete da Super Casas Bahia) de peito de peru com queijo branco e tomate, devidamente acompanhado de guaraná; postar uma carta no correio; ir até o carro buscar umas faturas cujo vencimento era/é hoje e pagar as mesmas no caixa eletrônico; mandar um sms pra Fê e gastar um tempinho atendendo o telefonema do Cadu. Tudo isso em longos, preciosos e raros 54 minutos de folga.
Vamos começar de novo? Era uma vez um dinamarquês muito do esperto chamado Soren Kierkegaard. Ele viveu no século XIX fazendo aquilo que os filósofos melhor fazem: filosofar (dã). Uns dizem que ele era existencialista, não sei; o que importa para mim, no momento é que o cara, embora tenha travado batalhas filosóficas sangrentas contra a Igreja Católica, acreditava piamente em Deus.
Pelo que entendi, pra ele, sua própria fé em Deus era o que o definia como indivíduo, posto que essa definição apenas se dá mediante a capacidade da pessoa em acreditar em algo que, de tão absurdo, necessite mesmo de uma tomada de posição quanto a um ato de... fé inabalável, indeed.
Ler tais palavras sobre Kierkegaard me fez começar a pensar em quê eu realmente acredito. Não sei se cheguei a alguma conclusão definitiva. Acho que consegui progresso muito maior ao enumerar as coisas nas quais não acredito. Encabeçando a lista, claro, meu trabalho. Aquilo que eu faço pra viver. Aquele mis-en-scène. Aquele circo de beira de estrada de terra poeirenta, com o picadeiro minúsculo, a lona puída, os animais sarnentos, que não diverte ninguém, mas continua ali armado, cambaleando ao vento, garantindo o emprego do pipoqueiro-que-vende-pipoca-fria, do mágico sem talento e do palhaço desdentado. Todos eles tentam se imbuir de uma aura de glamour, de magia, de show business. Querem desesperadamente que suas atividades possuam alguma relevância. Mal sabem que as pessoas portadoras de consciência e que habitam o mundo lá fora os consideram nada além de risíveis.
Eu sou o palhaço desdentado que está diariamente no picadeiro. Que digita, digo, faz malabarismos o dia todo até sentir dores nas mãos, braços e costas. Que não falta a uma apresentação sequer, seja por motivo de doença, problema familiar, pneu furado, greve de metrô. Que não vai ao banheiro, faz horário de almoço (os tais 54 minutos de hoje, assaz produtivos quando existentes) ou atende o telefone, 'cause the show must go on. Eu sou o palhaço desdentado que se vende baratíssimo que nem produto do Armazém Don Manolo.
Queria acreditar que é temporário. Que daqui a uns três (longos) anos, tudo vai mudar. Mas não sei. Talvez eu realmente devesse escolher algo mirabolante em que crer; não em Deus, mas no bilhete premiado da megasena ou (menos, Juliana) na possibilidade de cagar um livro e ver o mesmo virar best-seller da noite pro dia. Quem sabe assim, ainda que tais absurdos não acontecessem, acreditando no impossível eu me sentiria um pouco mais 'indivídua' e um pouco menos palhaça desdentada.
No presente momento prefiro nem pensar nas minhas 'cláusulas pétreas', ou os chamados 5 pilares: noção, bom-senso (são diferentes), lealdade a quem merece, go for it e amor sustentado por objetivos comuns. Temo que tergiversar sobre o assunto faça com que eu acabe convencendo a mim mesma de que não acredito nelas também. Aí, meus xuxus, reservem um lugar pra mim em Jacarepaguá, que nem na música do Neurastênico (que não, não é do Jota Quest; e que ninguém ouse dizer isso na minha frente), porque essa vai ser a hora em que vou querer me acorrentar ao pé da cama tendo ao lado uma vasilha de água e outra de ração.
Vamos começar de novo? Era uma vez um dinamarquês muito do esperto chamado Soren Kierkegaard. Ele viveu no século XIX fazendo aquilo que os filósofos melhor fazem: filosofar (dã). Uns dizem que ele era existencialista, não sei; o que importa para mim, no momento é que o cara, embora tenha travado batalhas filosóficas sangrentas contra a Igreja Católica, acreditava piamente em Deus.
Pelo que entendi, pra ele, sua própria fé em Deus era o que o definia como indivíduo, posto que essa definição apenas se dá mediante a capacidade da pessoa em acreditar em algo que, de tão absurdo, necessite mesmo de uma tomada de posição quanto a um ato de... fé inabalável, indeed.
Ler tais palavras sobre Kierkegaard me fez começar a pensar em quê eu realmente acredito. Não sei se cheguei a alguma conclusão definitiva. Acho que consegui progresso muito maior ao enumerar as coisas nas quais não acredito. Encabeçando a lista, claro, meu trabalho. Aquilo que eu faço pra viver. Aquele mis-en-scène. Aquele circo de beira de estrada de terra poeirenta, com o picadeiro minúsculo, a lona puída, os animais sarnentos, que não diverte ninguém, mas continua ali armado, cambaleando ao vento, garantindo o emprego do pipoqueiro-que-vende-pipoca-fria, do mágico sem talento e do palhaço desdentado. Todos eles tentam se imbuir de uma aura de glamour, de magia, de show business. Querem desesperadamente que suas atividades possuam alguma relevância. Mal sabem que as pessoas portadoras de consciência e que habitam o mundo lá fora os consideram nada além de risíveis.
Eu sou o palhaço desdentado que está diariamente no picadeiro. Que digita, digo, faz malabarismos o dia todo até sentir dores nas mãos, braços e costas. Que não falta a uma apresentação sequer, seja por motivo de doença, problema familiar, pneu furado, greve de metrô. Que não vai ao banheiro, faz horário de almoço (os tais 54 minutos de hoje, assaz produtivos quando existentes) ou atende o telefone, 'cause the show must go on. Eu sou o palhaço desdentado que se vende baratíssimo que nem produto do Armazém Don Manolo.
Queria acreditar que é temporário. Que daqui a uns três (longos) anos, tudo vai mudar. Mas não sei. Talvez eu realmente devesse escolher algo mirabolante em que crer; não em Deus, mas no bilhete premiado da megasena ou (menos, Juliana) na possibilidade de cagar um livro e ver o mesmo virar best-seller da noite pro dia. Quem sabe assim, ainda que tais absurdos não acontecessem, acreditando no impossível eu me sentiria um pouco mais 'indivídua' e um pouco menos palhaça desdentada.
No presente momento prefiro nem pensar nas minhas 'cláusulas pétreas', ou os chamados 5 pilares: noção, bom-senso (são diferentes), lealdade a quem merece, go for it e amor sustentado por objetivos comuns. Temo que tergiversar sobre o assunto faça com que eu acabe convencendo a mim mesma de que não acredito nelas também. Aí, meus xuxus, reservem um lugar pra mim em Jacarepaguá, que nem na música do Neurastênico (que não, não é do Jota Quest; e que ninguém ouse dizer isso na minha frente), porque essa vai ser a hora em que vou querer me acorrentar ao pé da cama tendo ao lado uma vasilha de água e outra de ração.
Enquanto não rola, vou tentando. Saber de todo o exposto acima, no entanto, em nada facilita as coisas.
Continuo crendo, porém, na importância para a humanidade da existência de pessoas que se acham espertas. Tipo os (que se acham) os donos do circo da beira da estrada de terra poeirenta. Obtusos. Alienados. Maniqueístas, pois que dividem o mundo entre o que é 'bom' e o que é 'mau' (e, pior, enquadram-se a si mesmos dentre os 'bons'). Se não fosse por elas, de quem mais a gente iria rir?
Continuo crendo, porém, na importância para a humanidade da existência de pessoas que se acham espertas. Tipo os (que se acham) os donos do circo da beira da estrada de terra poeirenta. Obtusos. Alienados. Maniqueístas, pois que dividem o mundo entre o que é 'bom' e o que é 'mau' (e, pior, enquadram-se a si mesmos dentre os 'bons'). Se não fosse por elas, de quem mais a gente iria rir?
5 comentários:
Mas tem horas que a gente não vê mais graça nos donos do circo, né? Os meus já perderam a graça faz tempo!
Esse tal de De Los Angeles é mesmo o cara, né? Mas Ju, em algo precisamos acreditar. Beijos.
Joo.
Acreditar, pra mim, é o primeiro passo para dominar o mundo. ^^
E qual relevância, às atividades e prioridades, deveria ser mais importante do que a que nossos olhos conseguem observar (e a mente raciocinar)?
E, um toque, sem pressa... é só o inferno astral fazendo sua vez, mais um ano. ;)
(que época pra acontecer tudo isso, hun?)
Beijooooooo!
Adoro vc e tenho mtas saudades de nossos papos, sabia?
Yoga, xoo-xoo, yoga!
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